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Fonte: Goolge |
No último post iniciamos a série "A Ciência e a Surdez", o qual mostrará as descobertas da ciência relacionadas à comunicação dos surdos e deficientes auditivos. Para facilitar a compreensão desta série, iniciei uma pequena explanação sobre a constituição do nosso cérebro.
Reveja o último post para relembrar como o nosso cérebro está organizado para compreender os próximos posts:
Hoje vou falar sobre as regiões de representação cerebral da língua de sinais e mostrar que ela se localiza no mesmo local do que a língua oral, o que corrobora para o seus statos de língua.
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A LÍNGUA DE SINAIS E AS ÁREAS CEREBRAIS
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Sinal correto - pessoa sem lesão |
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Sinal errado - pessoa com lesão do hemisfério esquerdo |
Como falado no post anterior, o hemisfério direito relaciona-se entre outras
questões, com as relativas ao espaço-visual – observação e identificação de imagens.
Enquanto o hemisfério esquerdo relaciona-se com a palavra e a linguagem[2]. Logo,
espera-se que a língua de sinais se associe a cérebro direito. No entanto não
foi isso o que o trabalho de HICKOK (at
all2002) concluiu. A partir da observação de pacientes surdos sinalizados
com lesões nas áreas de Broca ou de Wernick, notaram que estes apresentaram
afasia (dificuldades na comunicação), assim como acontece com as pessoas
ouvintes. Logo concluíram que o hemisfério esquerdo exerce influência sobre a
língua de sinais[5]. Mas continuaram pesquisando além, e então eles analisaram
pessoas surdas sinalizadas com lesão no hemisfério direito, e viram que estes
não apresentaram dificuldades nem na representação e nem na compreensão da língua
de sinais, apesar de terem tido dificuldades em executar tarefas não lingüísticas,
relacionadas com o espaço-visual, diferente dos que apresentavam lesão no hemisfério
esquerdo, mas que possuíam sua capacidade motora preservada [5]. Outros estudos,
sobre a língua de sinais americana (ASL) e a língua de sinais britânica (BSL),
confirmaram esta descoberta (apound
SAKAI) - mostraram por exame de imagem que, apesar de ocorrer ativação de
ambos os hemisférios, não houve evidencias significativas que mostrassem um
maior recrutamento do lado direito em prol do esquerdo quando os indivíduos
eram expostos exclusivamente a língua de sinais, comparando com a exposição à língua
áudio-visual [2]. Sobre isso, uma pesquisa brasileira mostrou que no cérebro do
surdo ocorre a associação de neurônios da área parietal medial com as áreas
centrais e frontais bilaterais, ativação esta que em geral não se observa no
processamento verbal no cérebro dos falantes, confirmando a bilateralidade da
língua de sinais [4]. Na verdade, outro estudo (apound SAKAI), agora feito com a língua de sinais japonesa (JSL),
mostrou também por imagens o predomínio do lado esquerdo em relação tanto a
lingua dê sinais quanto a áudio-visual, corroborando com o achado de HICOCK.
O que diferencia então a língua de sinais da
língua oral é que, ao invés das áreas lingüísticas serem ativadas pelos
neurônios da região da audição, elas são acionadas por áreas primárias
(observação do objeto) e secundárias da visão (de identificação do objeto em
relação ao corpo e de processamento espacial visual)[4] e de alguma forma,
apesar de sinais de entradas diferentes, estes são direcionados para a área da
linguagem[5].
Com o episódio de hoje, da nossa série, coloca por terra o argumento de que a língua de sinais não pode ser considerada uma língua. Além disso, incentiva o aprendizado da língua de sinais pelas crianças surdas o mais breve possível.
No próximo capítulo, irei mostrar o comportamento do cérebro na aquisição da língua de sinais tanto como língua natural quanto como uma segunda língua.
Continue acompanhando....
FONTES
1- LIMA SI de, CURY EMG. CÉREBRO, LÍNGUAGEM E AFASIAS.
2 - Language Acquisition and Brain Development.
Kuniyoshi L. Sakai. DOI: 10.1126/science.1113530 Science 310,815(2005).
Pesqusiado em: www.capes.com.br
3 – THE ORIGEN OF SPEECH. Evolution of Leanguage. Disponível em www.sciencemag.org. January 16, 2012
4- ROCHA FT. "LIBRAS"
(LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS) UM ESTUDO ELETROENCEFALOGRAFICO DE SUA
FUNCIONALIDADE CEREBRAL.
5- HICKOK G, BELLUGI U, KLIMA ES. SIGN LANGUAGE IN THE BRAIN. Scientific American. 2001.
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FANTÁSTICO esse post...
ResponderExcluirIncrivel a forma como nosso cerebro se "comunica" e se adapta as nossas peculiaridades. Parece q ele entende que, mesmo que seja com as mãos e através da mimica facial, isso é um dialogo, por mais que nao seja oralizado...
Sempre aprendi que o LIBRAS é considerado uma lingua. Não acho que é considerado, nas verdade É uma lingua uma vez que possui comprovações científicas a este respeito...
Parabéns Ranatinho... Tema fantastico...
Enquanto aguardo o proximo post vou procurar ler as referências pq realmente gostei!!!!
Então, Tate, ainda não se sabe como o nosso cérebro consegue distinguir quando um "gesto" está tendo a função de comunicação ou não. Realmente temos uma máquina surpreendente!
ExcluirTenho certeza que irá adorar a leitura das referências!